Essa semana, despediu-se do futebol e do São Paulo o polêmico dirigente Juvenal Juvêncio, e com ele a identidade que por décadas formou a estrutura de futebol que temos hoje e que ainda reluta em continuar com novos representantes.
Não se trata apenas da aposentadoria (possivelmente por problemas de saúde) de um gestor de clubes famoso. Trata-se talvez da saída do último dos lendários dirigentes que por muito tempo, ocuparam espaço manipularam e representaram o futebol brasileiro.
Sua formação é politica, onde ocupou alguns cargos eletivos, finalizando por militar com desenvoltura na gestão do São Paulo FC (2006-2014), adquirindo fama e conquistando 3 títulos brasileiros e uma Copa Sul Americana.
Foi reverenciado e muito questionado durante suas gestões, sempre com aparições impactantes, frases de efeito e polêmicas, e sempre apresentando as características dos personagens representativos que fizeram história no nosso futebol.
Participou do programa Bola da Vez da ESPN, onde desfilou suas frases de efeito, seu carisma e habilidade política. Ficou evidente seu talento em conduzir as opiniões mesmo contra seus desafetos ou algum outro representante da mesa mais crítico e ao final do programa havia conquistado aparentemente a simpatia de todos.
Chegou a comentar o convite de possíveis conchavos, propostos por uma rede de televisão e CBF, para elege-lo como presidente da entidade uma vez que se fazia necessário a saída estratégica de Ricardo Teixeira.
Particularmente ao assistir o programa, tive a forte impressão de estar vendo uma demostração do poder e do talento de algumas personalidades em transformar e justificar tudo o que fez e que faz em situações e atitudes naturais, próprias do meio. Políticos que se articularam e usaram seus conhecimentos e "recursos" desenvolvidos em anos de militância específica, para se enraizar no mundo do futebol e por que não dizer responsáveis por estas administrações puramente políticas e que atolaram nosso futebol nas condições que hoje se encontram.
Não acho que estamos na lama, mas com um deficit de desenvolvimento que nos coloca hoje em um patamar questionável no cenário mundial.
Fica evidente na entrevista, que nada é por acaso, que tudo é manipulado, que interesses comerciais antagônicos ao desenvolvimento dos clubes se sobrepõem em todas as situações e que existe uma iminência parda, facilmente identificável, que manda e dirige o futebol brasileiro. Todos apontarão a CBF como a principal responsável pelo fato do nosso futebol marcar passo, mas na verdade nada mais é que uma entidade representativa à serviço de uma "rede" que determina os rumos das competições atendendo seus interesses comerciais e monopolistas
Sou otimista quanto ao futuro de nosso futebol, acredito que essas gerências estão perdendo a força. É possível reconhecer administrações hoje bem mais técnicas e profissionais que acabarão batendo de frente com a ganância dos colonizadores. Os torcedores estão mais exigentes e já percebem que se resultados não vem dos campos, os principais responsáveis estão nas tribunas e não correndo atras da bola. Percebem um campeonato desorganizado com um calendário estranho, muito em razão dos que o controlam nos bastidores.
Essa revolução já está acontecendo e a ordem "natural" das coisas provavelmente mudará e não tenham dúvidas que será para melhor, uma vez que para pior seria uma "façanha" pouco provável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário